CAFÉ EXPRESSO - rascunhos de uma mulher (Poesia em prosa Autoral)

"Café expresso - rascunhos de uma mulher", por Gabby Meister

Minha atenção vagueou por ela quando a vi se sentar um pouco atrás de mim, mas a ignorei e segui com os meus estudos. Pouco depois, ela se levantou e foi se sentar em uns sofás não muito distantes de mim, na minha frente. Cruzou as pernas e começou a ler um livro.
Não sei o que ela lia, não consegui perceber o livro em suas mãos. Não sei se era bonita ou não, muito menos saberia escrever clichés vazios sobre as curvas de suas pernas, ou sobre os traços de seu rosto, que estudei por intensos minutos sem ser notada. Eu era invisível, o que me permitiu rascunhar estes trechos na frente dela, e a cada olhada eu só me inspirava mais. 
Sentidos. Eu estudava sobre os sentidos em algum lugar, e eles faziam sentido agora. Porque, repito, eu não saberia dizer se ela era bonita, nem saberia detalhar suas pernas, mas posso falar sobre sensações. A sensação de ser como um imã atraído por um metal que desconheço, a sensação de sentir o cheiro de um papo bom sobre o que quer que ela lesse naquela hora - devia cheirar a canela e sociologia. A sensação de provar com os olhos aquela discreta presença vibrante, gritando sua presença com uma simples cruzada de pernas. 
A conversa que poderíamos ter tido (sobre qualquer coisa que a deixasse tão interessante enquanto se concentrava na leitura) tinha o sabor de um café expresso. Não pela companhia inconsciente em uma cafeteria, mas pela velocidade com que aquele rascunho em forma de mulher passou pela minha tarde. 
Se era paixão? Não, creio que não. Paixões não surgem em rascunhos. Mas poderia ter sido, com um café ou dois.


Gabby Meister

Comentários

  1. "Paixões não surgem em rascunhos" (?). É; talvez não. Mas rascunhos podem sugerir paixões. Poesia com um toque sutil de voyeurismo.

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