VIAGEM AO CENTRO DA TERRA, de Julio Verne (Resenha)

Tudo bem, eu li a versão traduzida e adaptada pelo Walcyr Carrasco, o que provavelmente teria me deixado um pouco receosa e até mesmo um pouco decepcionada, se eu não conhecesse o bom trabalho que esse autor faz. 
O que eu tenho para dizer é: uau. 
Quando eu leio um livro, principalmente os ficcionais, eu analiso enquanto leitora e enquanto escritora, e para mim é quase impossível dar um parecer separado sobre essas duas visões. O que eu posso dizer, como autora, é que esse livro deve ter dado um trabalho imenso para ser escrito, especialmente se considerarmos que é um trabalho do começo do século XIX. 
Trata-se de uma ficção científica de altíssima qualidade, que com certeza foi fruto de uma ampla pesquisa sobre, no mínimo, geologia, arqueogeologia e sabe-se lá o que mais Julio Verne precisou saber para escrever esse livro. Dizem que ele já tinha um fascínio pelo assunto, o que imagino que facilitou muito o processo de pesquisa e, talvez, essas sejam apenas coisas que ele já sabia antes de escrever e decidiu aproveitar no livro. De qualquer forma, era preciso saber muito para escrever essa obra. Na verdade, acredito que todo livro de ficção científica exija uma respeitável erudição prévia sobre o assunto a ser tratado, e por isso é um gênero tão denso e complicado de se ler e de se escrever.
Pois bem, o livro se propõe a levar o leitor para as entranhas do planeta, e o autor faz isso melhor do que eu teria apostado. Em primeiro lugar, o livro já começa com um uso surpreendente da criptografia, e depois não se limita a seguir para dentro da Terra: usa argumentos científicos que poderiam justificar tal viagem, usam esses conhecimentos para deduzir quão abaixo da superfície estão, etc.
O desenrolar do livro é rápido e dinâmico, apesar de a viagem ao centro da Terra ser lenta e bastante cansativa. A quantidade de saberes conceituais torna o livro muito mais convincente e profundo e, perto de seu final, as coisas de desenrolam de um jeito realmente surpreendente e instigante.
Não tenha medo de se perder no meio de tantas informações de cunho técnico: o livro (pelo menos na versão que eu li) é repleto de notas de rodapé que dão ótimas explicações sobre as coisas que talvez o leitor não entenda.
Eu sempre ouvi dizer que Julio Verne era um dos grandes nomes da ficção científica, mas nunca tive a oportunidade de ler algo dele. Agora, só me resta concordar com o que diziam: Julio Verne foi, de fato, um grande gênio em seu ramo.

Gabby Meister

[A resenha acima tem por único objetivo divulgar minha visão e opinião pessoal sobre o livro citado, e não visa ofender ou difamar ninguém, nem mesmo difamar a obra ou o autor dela. É apenas meu ponto de vista, questionável e discutível]

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