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Mostrando postagens com o rótulo Literatura Internacional

CAIXA DE PÁSSAROS/BIRD BOX, de Josh Malerman (resenha)

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O hype de Caixa de Pássaros (Bird Box, que seja) durou muito tempo quando a Netflix lançou o filme (que eu nunca quis assistir) e, é claro, muita gente leu o livro na ocasião. O hype passou, ninguém mais fala disso (e vou dizer porquê, embora seja óbvio pra qualquer um que parou pra avaliar a obra e pensar 2 minutos), então quem decidiu ler o livro e escrever uma resenha só agora? Isso mesmo, euzinha <3 Contém alguns spoilers BIRD BOX - PONTOS POSITIVOS Vamos começar pelo que me surpreendeu positivamente. A premissa é boa: o mundo foi subitamente dominado por criaturas que enlouquecem as pessoas que olham para elas; por consequência, a humanidade afunda em uma distopia caótica em que todo mundo teve poucas semanas para se adaptar e tentar achar um modo de sobreviver. Ninguém tem certeza do que está acontecendo e nem até que ponto toda a histeria é justificada. Quando pensamos apenas na trama geral, as coisas não acontecem do nada. Quando as crianças de Malorie parecem inicialmente e...

1984, de George Orwell (Resenha baseada em teoria da história)

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Ao contrário do que muita gente pode imaginar, George Orwell foi um pró socialista bastante ativo, inclusive participando do Partido Operário de Unificação Marxista, como mostra um artigo da Revista Galileu [1] , mas antes disso o autor serviu ao exército britânico e passou muito tempo vivendo nas ruas. Sendo assim, qualquer interpretação de George Orwell que desconsidere essa filosofia e sua vivência estará longe do real significado do que ele quis passar. De forma resumida, o livro trata de um universo distópico onde o “capitalismo” foi derrotado e substituído por um regime “livre”, que na verdade é uma ditadura pesada comandada pelo Grande Irmão (que, acredito eu, é apenas uma ideia e não realmente presenta uma pessoa, pelo menos não no período entre que a história se passa). Esse governo autoritário mostra inúmeros sinais de fascismo: o ódio total ao inimigo (muitas vezes imaginário) e uma forte cultura de guerra que valoriza o Estado; a autoridade carismática do Grande Irmão tam...

DEBAIXO DAS RODAS, de Hermann Hesse (Resenha)

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Apesar de não ser uma das obras mais famosas de Hermann Hesse (um dia lerei "O Lobo da Estepe", prometo), "Debaixo das rodas" é um livro fantástico e, apesar de ter sido escrito há mais de um século, continua sendo particularmente sensível mesmo nos dias de hoje, e por uma razão muito simples: as coisas mudam, mas o sistema educacional parece ter dificuldade para acompanhar esse ritmo. Não é o único motivo, mas é algo muito presente na obra e precisa ser considerado.  O protagonista, Hans, vive a experiência que cada vez mais pessoas vivenciam todos os anos: a pressão para ingressar no ensino superior e tentar sobreviver a ele. Algo que já vimos milhões de vezes em literatura adolescente padrão, fanfics famosas e histórias do gênero, não é? Não nas mãos de Hesse: a ambientação, a meu ver, é uma das maiores dádivas do livro, pois as sensações ao redor sutilmente complementam e se misturam às emoções e sensações de Hans, dando um brilho único à narrativa. Não é pr...

O TEMPO ENTRE COSTURAS, de María Duenãs (Resenha)

E aqui estou eu de volta, trazendo mais uma resenha para vocês. Dessa vez, vim falar de um romance histórico chamado "O Tempo entre Costuras".  O romance é contextualizado na primeira metade do século XX, mais especificamente entre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e mostra o ponto de vista “civil” sobre as guerras: ou seja, foca-se na vida de uma mulher, Sira Quiroga, nascida em 1911, que, a princípio, era uma simples civil espanhola sem qualquer envolvimento com as guerras. É verdade que no decorrer do livro, Sira acaba aumentando seu envolvimento com os conflitos, mas sempre se mantém em um papel secundário e periférico, nos dando uma visão não padrão e não oficial dos acontecimentos.  A princípio, comecei a ler o livro sem grandes expectativas de que fosse interessante ou chamativo, especialmente porque ele começa da forma mais cliché possível: uma garotinha, filha de uma costureira solteira, cresce nas periferias de Madri ap...

DETALHE FINAL, de Harlan Coben (Resenha)

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Harlan Coben é conhecido por seus livros de suspense policial, e Detalhe Final não é diferente. O autor, que também é cientista social, trás no decorrer do livro alguns (poucos) diálogos que trazem certas reflexões sociais interessantes e relevantes (embora algumas conclusões sejam bem discutíveis). Não sei até que ponto elas expressam opiniões do autor e onde entra a opinião independente das personagens, e sinceramente não vejo como isso poderia ser relevante para essa resenha. O livro é feito por numerosos e curtos capítulos, com cortes precisos e no momento certo. Quem gosta de suspense policial sabe quanta diferença faz cortes estratégicos bem posicionados, pois dão intensidade para os momentos certos, e Detalhe Final não decepciona nesse sentido. Outra coisa a se parabenizar nesse livro é que, mesmo que por vezes se fale da vida pessoal do protagonista, isso não toma um tempo excessivo e torna a história mais profunda. É dito o necessário para tornar o enredo mais denso, e nã...

O PISTOLEIRO, de Stephen King (Resenha)

Foi minha primeira leitura do Stephen King. Quando eu vou conhecer um autor que ganhou muita fama por alguma obra em especial (no caso de King, seu estouro mais recente foi "It, A Coisa". O livro em si não é novo, mas o filme trouxe uma atenção especial para a obra e, embora eu tenha muita vontade de lê-la, pois amei o filme, ainda não o fiz). Sigo essa regra porque entendo que um livro que é um grande estouro tem algo de diferente que os outros livros do autor não têm. Esse estouro, seja por sorte ou por talento do escritor, faz do livro um "caso especial" e por isso prefiro ler outra coisa menos conhecida para tirar minhas conclusões. Foi o que eu fiz com John Green, lendo "Cidades de Papel" quando seu livro "A Culpa é das Estrelas" estava em alta (este último, inclusive, ainda não li. Quem sabe um dia?). Vamos ao que interessa. A primeira coisa a se enfatizar sobre a versão de O Pistoleiro que eu li é que as primeiras páginas falavam sobre ...

O ORÁCULO OCULTO, de Rick Riordan

Ok, se você deu uma olhadinha na minha lista de livros já lidos (na barra lateral, lá na parte superior esquerda da tela), imagino o que está pensando nesse momento: "essa garota já leu mais de vinte livros desse cara, é óbvio que ele é tipo um queridinho para ela e é claro que ela vai elogiar o livro". Bom, sim, eu estaria mentindo se dissesse que o Riordan não é um queridinho. Ele é um dos meus autores preferidos (se não o preferido mesmo). Eu já entrei em muitas reflexões sobre como ele provavelmente usou sua saga de maior sucesso, "Percy Jackson e os Olimpianos" (que é minha saga favorita) para aumentar as vendas suas outras sagas, fazendo referências e trazendo a presença do Percy insistentemente para outros livros (não que eu esteja reclamando, sou apaixonada pelo Percy). Eu acho isso uma pena, porque analisando com sangue frio, Riordan é um bom escritor. Ele tem um incrível conhecimento de diversas mitologias e tem feito um trabalho fantástico ao trazer esse...

A PÉROLA, de John Steinbeck (Resenha)

Esse é um daqueles livros que eu desisti de ler quando mais nova por falta de paciência e falta de um certo nível apreciativo e analítico. Lendo agora, percebo que vale a pena dar uma chance a todos os livros que eu abri mão de ler há alguns anos. A primeira coisa que me chamou a atenção e me fez ter certeza de que eu deveria conhecer a obra até o final foi o fato de se tratar de protagonistas indígenas. Eu sei que na capa do livro estava escrito sobre como o autor tinha sido aclamado e sobre como a obra ganhara premiações, mas eu não levo isso em consideração para criticar um livro. Voltando ao que interessa, protagonistas indígenas. Já fazia algumas semanas que eu me sentia incomodada por nunca ter lido (sequer ter ouvido falar) sobre histórias cuja narração contém uma presença significativa e influente de povos indígenas em geral. Escolhi ler esse livro simplesmente porque estava na minha estante há anos, e só depois de abri-lo que tive a felicidade de descobrir uma história que ...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA, de Julio Verne (Resenha)

Tudo bem, eu li a versão traduzida e adaptada pelo Walcyr Carrasco, o que provavelmente teria me deixado um pouco receosa e até mesmo um pouco decepcionada, se eu não conhecesse o bom trabalho que esse autor faz.  O que eu tenho para dizer é: uau.  Quando eu leio um livro, principalmente os ficcionais, eu analiso enquanto leitora e enquanto escritora, e para mim é quase impossível dar um parecer separado sobre essas duas visões. O que eu posso dizer, como autora, é que esse livro deve ter dado um trabalho imenso para ser escrito, especialmente se considerarmos que é um trabalho do começo do século XIX.  Trata-se de uma ficção científica de altíssima qualidade, que com certeza foi fruto de uma ampla pesquisa sobre, no mínimo, geologia, arqueogeologia e sabe-se lá o que mais Julio Verne precisou saber para escrever esse livro. Dizem que ele já tinha um fascínio pelo assunto, o que imagino que facilitou muito o processo de pesquisa e, talvez, essas sejam apenas coisas...