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LUCÍOLA, de José de Alencar (Resenha e Análise de cunho social)

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Eu decidi que faria a resenha deste livro, mas passei um bom tempo pensando se realmente faria isso. Este post terá duas partes: a resenha, onde desconsiderarei minhas críticas sociais e falarei especificamente sobre o livro. Na segunda parte, farei minha análise de cunho social (e histórico, de certo modo). Resenha O livro é escrito por um consagrado autor brasileiro do século XIX, José de Alencar, e por isso [o livro] Lucíola é considerado um clássico da literatura nacional. Pois bem, a meu ver, Lucíola é basicamente um drama. É romance, mas é também um (enorme) drama. Infelizmente, esse acaba sendo um ponto baixo do livro: o drama apenas se repete, arrumando em si mesmo uma desculpa para continuar se reproduzindo, e a história só sai desse círculo dramático nas últimas páginas. É muitas vezes repetitivo e cansativo e, embora as coisas fiquem tristes e um pouquinho surpreendentes no final, não estou certa de que isso compensa todas as voltas que o livro deu. Lucíola é es...

DETALHE FINAL, de Harlan Coben (Resenha)

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Harlan Coben é conhecido por seus livros de suspense policial, e Detalhe Final não é diferente. O autor, que também é cientista social, trás no decorrer do livro alguns (poucos) diálogos que trazem certas reflexões sociais interessantes e relevantes (embora algumas conclusões sejam bem discutíveis). Não sei até que ponto elas expressam opiniões do autor e onde entra a opinião independente das personagens, e sinceramente não vejo como isso poderia ser relevante para essa resenha. O livro é feito por numerosos e curtos capítulos, com cortes precisos e no momento certo. Quem gosta de suspense policial sabe quanta diferença faz cortes estratégicos bem posicionados, pois dão intensidade para os momentos certos, e Detalhe Final não decepciona nesse sentido. Outra coisa a se parabenizar nesse livro é que, mesmo que por vezes se fale da vida pessoal do protagonista, isso não toma um tempo excessivo e torna a história mais profunda. É dito o necessário para tornar o enredo mais denso, e nã...

O PISTOLEIRO, de Stephen King (Resenha)

Foi minha primeira leitura do Stephen King. Quando eu vou conhecer um autor que ganhou muita fama por alguma obra em especial (no caso de King, seu estouro mais recente foi "It, A Coisa". O livro em si não é novo, mas o filme trouxe uma atenção especial para a obra e, embora eu tenha muita vontade de lê-la, pois amei o filme, ainda não o fiz). Sigo essa regra porque entendo que um livro que é um grande estouro tem algo de diferente que os outros livros do autor não têm. Esse estouro, seja por sorte ou por talento do escritor, faz do livro um "caso especial" e por isso prefiro ler outra coisa menos conhecida para tirar minhas conclusões. Foi o que eu fiz com John Green, lendo "Cidades de Papel" quando seu livro "A Culpa é das Estrelas" estava em alta (este último, inclusive, ainda não li. Quem sabe um dia?). Vamos ao que interessa. A primeira coisa a se enfatizar sobre a versão de O Pistoleiro que eu li é que as primeiras páginas falavam sobre ...

EXTRAORDINÁRIO, de R.J. Palacio (Resenha)

Hora da confissão: só li o livro porque gostei do filme. Admito que eu não tinha nenhuma curiosidade de lê-lo, embora tivesse ouvido falar que a abordagem era interessante e tudo o mais, e que falava sobre um assunto bastante em pauta na nossa sociedade, o bullying. Em minha defesa, Extraordinário sempre me pareceu o tipo de livro feito para introduzir crianças ao assunto do bullying e, portanto, eu tinha pouco interesse em ler, pois creio que já fui introduzida ao tema por outros meios. Contudo, depois de assistir ao filme, resolvi dar uma chance à história. Eu estava certa ao deduzir que o livro era perfeito para o público infato-juvenil. A linguagem é bem simples e fácil, e se torna especialmente atrativa por ser narrada por crianças durante a maior parte do tempo. Isso não é ruim, eu mesma escrevo livros juvenis. Voltando ao que interessa, é um bom livro, mas você provavelmente não vai gostar se já perdeu a paciência com uma linguagem e uma história leves e "educativas...

O ORÁCULO OCULTO, de Rick Riordan

Ok, se você deu uma olhadinha na minha lista de livros já lidos (na barra lateral, lá na parte superior esquerda da tela), imagino o que está pensando nesse momento: "essa garota já leu mais de vinte livros desse cara, é óbvio que ele é tipo um queridinho para ela e é claro que ela vai elogiar o livro". Bom, sim, eu estaria mentindo se dissesse que o Riordan não é um queridinho. Ele é um dos meus autores preferidos (se não o preferido mesmo). Eu já entrei em muitas reflexões sobre como ele provavelmente usou sua saga de maior sucesso, "Percy Jackson e os Olimpianos" (que é minha saga favorita) para aumentar as vendas suas outras sagas, fazendo referências e trazendo a presença do Percy insistentemente para outros livros (não que eu esteja reclamando, sou apaixonada pelo Percy). Eu acho isso uma pena, porque analisando com sangue frio, Riordan é um bom escritor. Ele tem um incrível conhecimento de diversas mitologias e tem feito um trabalho fantástico ao trazer esse...

A PÉROLA, de John Steinbeck (Resenha)

Esse é um daqueles livros que eu desisti de ler quando mais nova por falta de paciência e falta de um certo nível apreciativo e analítico. Lendo agora, percebo que vale a pena dar uma chance a todos os livros que eu abri mão de ler há alguns anos. A primeira coisa que me chamou a atenção e me fez ter certeza de que eu deveria conhecer a obra até o final foi o fato de se tratar de protagonistas indígenas. Eu sei que na capa do livro estava escrito sobre como o autor tinha sido aclamado e sobre como a obra ganhara premiações, mas eu não levo isso em consideração para criticar um livro. Voltando ao que interessa, protagonistas indígenas. Já fazia algumas semanas que eu me sentia incomodada por nunca ter lido (sequer ter ouvido falar) sobre histórias cuja narração contém uma presença significativa e influente de povos indígenas em geral. Escolhi ler esse livro simplesmente porque estava na minha estante há anos, e só depois de abri-lo que tive a felicidade de descobrir uma história que ...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA, de Julio Verne (Resenha)

Tudo bem, eu li a versão traduzida e adaptada pelo Walcyr Carrasco, o que provavelmente teria me deixado um pouco receosa e até mesmo um pouco decepcionada, se eu não conhecesse o bom trabalho que esse autor faz.  O que eu tenho para dizer é: uau.  Quando eu leio um livro, principalmente os ficcionais, eu analiso enquanto leitora e enquanto escritora, e para mim é quase impossível dar um parecer separado sobre essas duas visões. O que eu posso dizer, como autora, é que esse livro deve ter dado um trabalho imenso para ser escrito, especialmente se considerarmos que é um trabalho do começo do século XIX.  Trata-se de uma ficção científica de altíssima qualidade, que com certeza foi fruto de uma ampla pesquisa sobre, no mínimo, geologia, arqueogeologia e sabe-se lá o que mais Julio Verne precisou saber para escrever esse livro. Dizem que ele já tinha um fascínio pelo assunto, o que imagino que facilitou muito o processo de pesquisa e, talvez, essas sejam apenas coisas...