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O TEMPO ENTRE COSTURAS, de María Duenãs (Resenha)

E aqui estou eu de volta, trazendo mais uma resenha para vocês. Dessa vez, vim falar de um romance histórico chamado "O Tempo entre Costuras".  O romance é contextualizado na primeira metade do século XX, mais especificamente entre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e mostra o ponto de vista “civil” sobre as guerras: ou seja, foca-se na vida de uma mulher, Sira Quiroga, nascida em 1911, que, a princípio, era uma simples civil espanhola sem qualquer envolvimento com as guerras. É verdade que no decorrer do livro, Sira acaba aumentando seu envolvimento com os conflitos, mas sempre se mantém em um papel secundário e periférico, nos dando uma visão não padrão e não oficial dos acontecimentos.  A princípio, comecei a ler o livro sem grandes expectativas de que fosse interessante ou chamativo, especialmente porque ele começa da forma mais cliché possível: uma garotinha, filha de uma costureira solteira, cresce nas periferias de Madri ap...

Redação do Enem 2018, AJUDANDO QUEM QUER APRENDER - Redações autorais

Olá, pessoal! A primeira parte do ENEM 2018 rolou nesse domingo (04), e tivemos a ilustre presença das provas de Ciências Humanas, Linguagens e Redação (minhas preferidas, obviamente). Vim aqui falar do ENEM? Não, em tese não. Quem sabe mais para frente (eu não me inscrevi para a prova, mas tive acesso a ela ainda no domingo e já resolvi a primeira parte, ou seja, sei como foi a prova desse ano, e apenas digo que o ENEM nunca me decepciona). O tema de redação esse ano, "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na Internet ", foi especialmente provocativo e incrivelmente acertado, de certo gerará muitos debates, e eu, que não posso ver uma chance de escrever, escrevi também minha redação nos moldes do ENEM, que pode servir tanto para vestibulandos que porventura queiram ver possibilidades e formas de redação, como para escritores que desejem analisar essa estrutura argumentativa-dissertativa, que é a exigida pelas regras do ENEM, mas pouquíssimo usad...

O MALABARISTA (Microconto autoral)

Eu sei que já faz algum tempo desde minha última publicação, e agora gostaria de aproveitar a oportunidade para apresentar a vocês um microconto que escrevi recentemente.  Espero que gostem! "O Malabarista Existe vida em algum lugar, ou foi o que me disseram quando anoiteceu. Eu ouvi histórias fantásticas sobre seres que sentiam e vagavam por aí, fazendo malabarismos com suas ideias e suas mágoas, e era fascinante de se ouvir. A história era mais ou menos assim: as coisas vivas não se importavam com outra atividade que não fosse equilibrar tudo engenhosamente. Faziam isso por arte, era um estilo de vida! Em seu malabarismo, recriavam as mais ínfimas das percepções, recebiam diversas lições importantes, e nada podia se equiparar à genialidade do malabarismo de cada um. "Deve ser mentira", eu pensava. "Nenhum ser vivo é capaz de administrar tanta existência". Eu estava certa e errada, e isso é só mais um malabarismo pra lista. As histórias eram bo...

LUCÍOLA, de José de Alencar (Resenha e Análise de cunho social)

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Eu decidi que faria a resenha deste livro, mas passei um bom tempo pensando se realmente faria isso. Este post terá duas partes: a resenha, onde desconsiderarei minhas críticas sociais e falarei especificamente sobre o livro. Na segunda parte, farei minha análise de cunho social (e histórico, de certo modo). Resenha O livro é escrito por um consagrado autor brasileiro do século XIX, José de Alencar, e por isso [o livro] Lucíola é considerado um clássico da literatura nacional. Pois bem, a meu ver, Lucíola é basicamente um drama. É romance, mas é também um (enorme) drama. Infelizmente, esse acaba sendo um ponto baixo do livro: o drama apenas se repete, arrumando em si mesmo uma desculpa para continuar se reproduzindo, e a história só sai desse círculo dramático nas últimas páginas. É muitas vezes repetitivo e cansativo e, embora as coisas fiquem tristes e um pouquinho surpreendentes no final, não estou certa de que isso compensa todas as voltas que o livro deu. Lucíola é es...

DETALHE FINAL, de Harlan Coben (Resenha)

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Harlan Coben é conhecido por seus livros de suspense policial, e Detalhe Final não é diferente. O autor, que também é cientista social, trás no decorrer do livro alguns (poucos) diálogos que trazem certas reflexões sociais interessantes e relevantes (embora algumas conclusões sejam bem discutíveis). Não sei até que ponto elas expressam opiniões do autor e onde entra a opinião independente das personagens, e sinceramente não vejo como isso poderia ser relevante para essa resenha. O livro é feito por numerosos e curtos capítulos, com cortes precisos e no momento certo. Quem gosta de suspense policial sabe quanta diferença faz cortes estratégicos bem posicionados, pois dão intensidade para os momentos certos, e Detalhe Final não decepciona nesse sentido. Outra coisa a se parabenizar nesse livro é que, mesmo que por vezes se fale da vida pessoal do protagonista, isso não toma um tempo excessivo e torna a história mais profunda. É dito o necessário para tornar o enredo mais denso, e nã...

O PISTOLEIRO, de Stephen King (Resenha)

Foi minha primeira leitura do Stephen King. Quando eu vou conhecer um autor que ganhou muita fama por alguma obra em especial (no caso de King, seu estouro mais recente foi "It, A Coisa". O livro em si não é novo, mas o filme trouxe uma atenção especial para a obra e, embora eu tenha muita vontade de lê-la, pois amei o filme, ainda não o fiz). Sigo essa regra porque entendo que um livro que é um grande estouro tem algo de diferente que os outros livros do autor não têm. Esse estouro, seja por sorte ou por talento do escritor, faz do livro um "caso especial" e por isso prefiro ler outra coisa menos conhecida para tirar minhas conclusões. Foi o que eu fiz com John Green, lendo "Cidades de Papel" quando seu livro "A Culpa é das Estrelas" estava em alta (este último, inclusive, ainda não li. Quem sabe um dia?). Vamos ao que interessa. A primeira coisa a se enfatizar sobre a versão de O Pistoleiro que eu li é que as primeiras páginas falavam sobre ...

EXTRAORDINÁRIO, de R.J. Palacio (Resenha)

Hora da confissão: só li o livro porque gostei do filme. Admito que eu não tinha nenhuma curiosidade de lê-lo, embora tivesse ouvido falar que a abordagem era interessante e tudo o mais, e que falava sobre um assunto bastante em pauta na nossa sociedade, o bullying. Em minha defesa, Extraordinário sempre me pareceu o tipo de livro feito para introduzir crianças ao assunto do bullying e, portanto, eu tinha pouco interesse em ler, pois creio que já fui introduzida ao tema por outros meios. Contudo, depois de assistir ao filme, resolvi dar uma chance à história. Eu estava certa ao deduzir que o livro era perfeito para o público infato-juvenil. A linguagem é bem simples e fácil, e se torna especialmente atrativa por ser narrada por crianças durante a maior parte do tempo. Isso não é ruim, eu mesma escrevo livros juvenis. Voltando ao que interessa, é um bom livro, mas você provavelmente não vai gostar se já perdeu a paciência com uma linguagem e uma história leves e "educativas...